segunda-feira, 30 de abril de 2012


Saudades, filho...

Quando o amor vira saudade de repente,
Nada é capaz de aliviar a dor.
Nada é capaz de secar as lágrimas,
Nada é capaz de fazer voltar o calor.

O inverno se instalou na minha alma.
Chuva e vento agora moram em mim.
Meus olhos transbordam a enchente da saudade,
Que inunda minha vida, uma noite sem fim.

Noite escura, sem lua nem estrelas...
Parece que a alegria não vai mais amanhecer.
Na tristeza estagnada, feito lama, no meu peito,
Parece que o riso não vai mais acontecer.

O pranto que insiste em meu rosto rolar,
Deixa em minha boca um travo ruim.
Jamais pensei sentir tanta saudade!
Jamais pensei que você se fosse assim!

Eu preciso entender sua partida.
Preciso enfrentar a solidão que me sorri.
Mas sua ausência é tão presente em mim agora,
Que é difícil aceitar que você não está aqui.

Quem me dera poder voltar no tempo,
Para te dizer tudo o que eu não fui capaz.
Para te dizer que você é minha vida
E que nunca te esquecerei, porque te amo demais!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Olá queridas amigas...
Ontem fui ver o mar, já não me sentia assim há muito tempo, mais leve, aliviada... É tão bom estar a olhar para o infinito, o ouvir das ondas a rebentar, estava um dia chuvoso, nuvens, mas lindo!
Também há já muito tempo que queria ir junto do mar e escrever o nome do meu anjinho Afonso na areia para depois ser levado por uma onda, foi um momento único!

Mais uma vez, força a todas as mamãs de anjos...
Abraços apertadinhos...
Beijinhos

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Pós perda do meu filho....

O chegar a casa de mãos vazias, olhar para o quarto ver a cama e não tinha ninguém para lá deitar... dormir, não conseguia, se fechasse os olhos revivia tudo de novo...
Só perguntava o porquê de ser eu??? Tinha feito de tudo o que podia... até me culpei por ter engordado muito e por isso ele ser muito grande...
Depois preparar o funeral, reviver tudo mais uma vez, ser bombardeada por comentários menos felizes... não foi fácil... não foi fácil ver o meu menino na urna, não podia ser verdade e nem estava a acontecer... parecia um boneco, lindo, levava o 1º fatinho dele e também um peluche, era dele...
Nunca pensei que tinha de passar por isto... a lei da vida não é os pais irem antes dos filhos??? Então porque é que connosco foi ao contrário? Porque é que eu não pude conhecer o meu filho a não ser na barriga? Que tristeza tão grande... que dor... tinha o coração vazio...
Apesar de toda a minha dor e por tudo o que passei tive um pós parto abençoado...
E contar ao meu filho... nem foi muito difícil ele entendeu bem e quando alguém lhe perguntava pelo mano ele dizia que estava no céu, claro que as pessoas ficavam sem reacção, pois não estavam á espera... coincidiu também com a entrada na escola primária, pensava que ia ser mais difícil, mas não ele até reagiu bem e na escola é um bom aluno.
Um dia, estava eu a dar-lhe banho e quando eu o limpei ele abraçou-se a mim e deu-me um abraço apertadinho e disse-me "mamã, quando tu estavas grávida eu já sabia que o meu mano ia ser um anjinho...", eu fiquei sem palavras.... mas perguntei-lhe porquê e ele disse-me "porque um dia eu estava a dormir e Jesus veio ao meu quarto e disse-me ao ouvido.." não podia ser verdade o que eu estava a ouvir... será que o meu filho fala com Jesus??? Ou onde foi ele buscar isso????
No dia 1 de Novembro, fomos ao cemitério e levamos o Martim e explicámos-lhe que aquela pedra branca era a porta para o céu do mano e que tínhamos posto aquela pedra para ficar mais bonito, ele depois já para o fim virou-se para mim e disse "mamã, sabes o que o mano me disse? que gostava mais de flores brancas..." (a jarra tinha flores coloridas)... fiquei outra vez sem palavras, eu não queria acreditar que ele também falava com o irmão...
Todos os Domingos vamos ver o nosso menino e nunca mais lhe pus uma flor de cor na jarra, só lhe ponho flores brancas...
Já passaram 7 meses, a dor continua a mesma... quando vejo uma grávida, a minha reacção é por a mão na minha barriga, ás vezes ainda tenho a sensação que o sinto a mexer-se dentro de mim... ver bebés de olhos fechados ainda me é difícil pois lembra-me o meu menino na urna... há reacções que eu não consigo evitar... ainda passou pouco tempo, e só agora é que estou a entrar na realidade...
Há certas coisas que faço que não é por mal, mas há muitas pessoas que não entendem esta dor e que pensam que a dor de perder um filho passa assim depressa e temos de pô-la para trás das costas, não entendem...
Quando falo do que aconteceu, sinto que as pessoas tentam desviar o assunto e que ficam sem reacção, mas ao fazê- lo sinto-me mais leve e melhor... falo muitas vezes e quando fecho os olhos revivo tudo...
Os meus pilares são o meu marido e o meu filho... força? tenho muita e ás vezes não sei onde a vou buscar... ás vezes surpreendo-me comigo mesma... mas também tenho momentos de fraqueza e quando os tenho recorro a esta musica...


Tenho momentos de dor, de tanto sofrimento... o olhar para outras mães e vê-las com os filhos nos braços e eu sem nada... eu tenho-o mas está no céu, é o nosso anjinho da guarda!
Digo muitas vezes: Fomos abençoados por Deus...gerámos um anjinho!
Queria dizer também a outras mães de anjos que compreendo bem a sua dor, porque passámos pelo mesmo, se precisarem de falar, se quiserem partilhar a sua história eu estarei aqui... Um beijinho de boa noite para todas....
A chegada do Afonso era esperada com grande ansiedade pela família e pelos amigos!

Nessa altura o avô do meu marido estava muito mal, os médicos já tinham preparado a família para o pior...
Andávamos todos com medo que ele nascesse nesse dia, não era por nada em especial, apenas porque um dia feliz tornáva-se num dia triste...
No dia 08/09/2011 dei entrada na maternidade com a 1ªcarta de urgência com principio de pré eclampsia, onde a médica de serviço gozou comigo, um outro médico que lá estava queria mandar-me para cima para cesariana, pois o bebé estava muito grande, mas a médica que lá estava não deixou porque estava na hora do jantar; No dia 12/09/2011 em todo o dia não senti o bebé, no dia 13/09/2011 dei entrada novamente na maternidade com 2ªcarta de urgência com a tensão a 17,7 e não sentia o bebé, deram-me água com açúcar chocolates e nenhuma diferença, disseram que era normal e que ele estava a dormir....; No dia 14/09/2011 dei novamente entrada nas urgências, continuava a não sentir o bebé, a tensão estava alta e levava a 3ªcarta de urgência, nada fizeram e mandaram-me para casa, ainda era cedo para o bebé nascer; No dia 15/09/2011 fui á consulta, pedia por amor de Deus á médica para me provocar o parto pois as dores eram constantes, as idas á maternidade também e já não sentia o bebé, então ela acelarou-me o parto, deu-me a carta para eu dar entrada na maternidade ao outro dia de manhã se aguentasse senão para ir naquele dia á noite.
E a hora estava a chegar... mal eu sabia o que nos esperava...
Depois de passar toda a noite com contracções, ás 6h00 fui ter com a minha mãe e disse-lhe que já não aguentava, cada vez estavam a ficar mais fortes e disse para ela se preparar que eu ia chamar o meu marido, preparámo-nos  e lá fomos para a maternidade, quando lá cheguei já ia com contracções de 5 em 5min, inscrevi-me e aguardei que me chamassem, as contracções eram constantes e eu não aguentava, estava sem posição e sem disposição, a minha mãe ao ver-me assim foi chamar uma auxiliar e lá entrei eu para a sala de urgências, a enfermeira de serviço pediu-me para me deitar na marquesa para me observar e sem querer rebentou-me as águas, aí é que elas começaram com força... Como não havia vagas nos pisos de cima puseram-me desde as 9h da manhã até as 11h20 na cadeira dos registos, eu bem que fazia as respirações para aliviar, mas eram impensável naquela posição, então ás 11h30 levaram-me para a sala de partos. O anestesista chegou e perguntou-me se queria levar a epidoral, eu nem sabia o que havia de fazer, pois no meu 1º parto depois de 4 injecções não pegou acabando por sentir tudo, mas arrisquei, e até pegou logo á primeira...que alivio...tudo parecia estar a correr bem, as dilatações, o coração do bebé a bater, enquanto estive ali á espera da minha hora nasceram uns 4 ou 5 bebés, uma até foi no meio do corredor á porta da minha sala, já não chegou a tempo a sala de parto... ás 16h foi a mudança de turno e eu disse para o meu marido mandar vir os pais dele e o nosso filho pois a seguir tudo indicava que era  a minha hora. Quando me foram para fazer o toque mandaram sair o meu marido, como é normal e quando me observaram e mexeram eu gritei muito porque me doeu, então eles acharam que era melhor iniciar, e assim foi... quando eu vi quem era a médica que me ia fazer o parto, fiquei para morrer...(era a tal que tinha gozado comigo nas urgências)...
(posso dizer que o meu 1º parto me custou, foi horrível, mas no fim tinha o meu bebé nos braços e todas aquelas dores ficaram mais pequenas) mas este... parecia o faroeste...!
Eu não vi nada... apenas fazia força quando me mandavam, mas pela aflição deles e pela conversa quando a cabecinha do Afonso saiu, ela bloqueou e já não conseguiu fazer o resto sem ajuda, estavam todos aflitos, chamaram logo um dos mais antigos e outro também com alguma experiência, o mais velho tentava a todo o custo tirar o bebé o outro pôs-se literalmente em cima da minha barriga, as coisas estavam a piorar, eles estavam estafados, eu a ficar sem forças, o meu marido lá fora e o bebé não saia e eu sem saber o que se estava a passar, só queria ouvir o meu filho chorar e não havia maneira... Eles fizeram de tudo para o conseguir tirar, eu mais uma bocadinho e ficava... finalmente ele saiu, levaram-no  logo para dentro sem me dizerem nada... eu estava de rastos e sem forças e só perguntei se estava tudo bem e quanto pesava, só me disseram que era grande e que pesava 3,995kg...
A enfermeira mandou entrar o meu marido e na altura que ele entrou eu estava a rir-me (porque virei-me para a enfermeira e disse que a placenta demorou menos tempo a sair que  bebé..), ele não percebeu nada e muito menos quando ela lhe disse que as coisas não tinham corrido bem mas que já vinham falar connosco. Prepararam-me e levaram-me para o corredor, do outro lado estava uma mãe com o seu filho e eu ali sem saber de nada e sem o meu bebé... 
Quando as portas da sala de partos abriu entrou a pediatra e veio na minha direcção, a cara expressão dela não era boa... " o parto não correu bem, houve algumas complicações pelo meio, tivemos de reanimar o bebé e ele agora vai ser transferido para a UCI (unidade de cuidados intensivos) do Hospital Pediátrico, mas que ele agora estava na UCIN (unidade de cuidados intensivos neo-natais), estamos a prepará-lo porque o INEM já vem a caminho..." agarrámo-nos os dois a chorar... Porque é que nos estava a acontecer a nós? Dali levar-nos dali para um quarto no fundo do corredor, ele foi ver o menino e quando veio para cima disse que ele era lindo... a minha reacção foi perguntar logo se ele tinha morrido... ainda não estava a acreditar, não podia estar a acontecer-nos aquilo...
No momento que o menino ia a sair da maternidade para a ambulância foi na hora em que os meus sogros chegaram com o meu filho... viram-no 5min.
Nesse dia á noite, o médico que acompanhou o meu parto foi ter comigo ao quarto e disse-me que lamentava muito, que tinham feito o tudo o que podiam, mas que eu não esperasse por boas noticias, só por um milagre e que se sobrevivesse ia ficar com muitas mazelas, mas eu estava tão exausta e com tanta dor que nem ouvi bem o que ele disse. Passar a noite foi horrível,  sozinha, nem televisão tinha, ouvir toda a noite os bebés a chorar, cheia de dores, não dormia, bem sem palavras... só queria que chegasse o outro dia para ter a minha família junto de mim...
No sábado reparei que a minha sogra e a minha tia estavam a chorar, mas pensei que era pelo que estava acontecer, afinal tinha sido o avô do meu marido que tinha falecido (no dia a seguir ao nascimento do Afonso) que fim de semana triste... mas será que não havia uma boa notícia???  Depois eram os amigos e família que queriam saber noticias, outros estavam preocupados porque não sabiam de nada e nós também não tínhamos coragem de lhes dizer... eu cada vez que falava com alguém enchia-me de lágrimas, não era verdade e eu quando saísse dali ia ver o meu filho e levava-o para casa... o meu marido entretanto foi ao pediátrico ver o menino e ele teve alguma melhoras, abriu os olhitos, ele diz que eram verdes como ele, ele era lindo e grande, claro que só o vi por fotos... ele lá tinha um fato térmico que era para ver se ele reagia... e o Martim dizia ás pessoas que o mano tinha um fato de karaté... e estava a acabar mais um dia e eu ia passar ali mais uma noite de tristeza...
No Domingo o meu marido chegou lá e foi falar com a médica para me dar alta, porque o bebé tinha piorado nessa noite e eles não lhe davam muitas horas e também tínhamos que fazer o baptizado e também para eu o ver com vida. Eu ainda não tinha feito as 48h de parto mas eu queria lá bem saber, eu queria era ver o meu filho...
No caminho o meu marido preparou-me para que eu não entrasse em choque ao ver o meu filho, pois nas fotos é bem diferente...
Quando chegámos já lá estava o capelão, eu não queria acreditar que o pior poderia acontecer e o padre também estava triste com a situação, mas só por milagre ele continuava neste mundo, passei toda a tarde junto do meu menino, eu falava para ele mas ele continuava sereno a dormir, eu não me cansava de olhar para ele, ainda tinha esperança...
Nesse dia era o funeral do avô, a médica entretanto veio falar connosco a dizer que como ele piorou de noite tiveram que lhe aumentar as doses da medicação para ele se aguentar até eu o ir ver, mas os valores no computador não paravam de descer... eu não estava em mim, não podia ser verdade... porquê a nós??? Porquê é que tinha de ser assim??? Porque é que tínhamos que passar por isto??? A médica foi desligando as máquinas e nós ali a despedir-nos do nosso menino, a minha esperança estava a escassear-se... eram 18h43 (hora em que a urna do avô desceu á terra) e o coraçãozinho do meu menino deixou de bater... Não podia ser verdade... aquilo era um sonho... ele ia acordar... 
(Se há coincidências ou não, não sei, mas o meu menino tinha uma missão... vir ao nosso mundo buscar o avô e dar-nos a bênção de termos gerado um anjinho!)  
Quando o puseram no quartinho, parecia que estava a dormir, a minha primeira reacção foi contar-lhe os dedinhos dos pés e das mãos, ele era perfeitinho e lindo... 
Estive ali até ás 24h, sempre ao pé dele ainda com uma esperança... 



A nova chegada da cegonha...

A minha vontade de engravidar tornou-se na minha cabeça uma obsessão, não podia olhar para uma grávida, mas com o país no estado em que estava e continua ter outro filho para já não era a melhor opção. Mas eu queria e queria e o meu marido achava que ainda não era a melhor altura. Com isto tudo até fiz uma gravidez psicológica, qualquer atraso que eu tivesse era logo gravidez...
Eu insistia com o assunto e só pensava em mim... Até cheguei a por na cabeça que não conseguia ter filho porque não engravidava.

Em Fevereiro de 2011 comecei a sentir alguma mudanças no meu corpo, a menstruação estava atrasada, os peito estavam maiores e doíam-me mas não liguei deixei andar e um dia calei-me caladinha e fui comprar um teste de gravidez. No outro dia de manhã deixei o meu marido e o meu filho saírem e fiz, nem queria acreditar que tinha dado positivo... e agora o que é que eu faço? pensei eu, qual será a reacção dele?
Quando ele chegou, contei-lhe e a reacção não foi das melhores... naquele momento nem sabia o que fazer, afinal não foi da vontade dos dois, foi só minha... mas mesmo assim a hipótese de fazer um aborto estava fora de questão. E contar aos familiares? Ui, ainda escondi alguns dias, mas tive logo mudanças no meu corpo, a barriga cresceu, a cara (diziam que era de grávida) e por muito que eu quisesse esconder não conseguia, pois fico logo corada, bem mas tive coragem e contei, ui, e como vão vocês cuidar do bebé, só um é que está a trabalhar, e a vida não está fácil e bla bla bla (as conversas do costume das mães galinha).
Passado uns dias ligou-me a minha mãe "olha comprei um casaquinho para o bebé...", afinal lá no fundo tinha ficado contente...
E depois foi contar ao meu filho... bem as pessoas que não sabiam ficaram logo a saber pois ele a todo lado que ia dizia que ia ter um mano, e que queria um rapaz para jogar á bola, e que se ia chamar Júlio, depois era Duarte, porque o irmão de uma coleguinha da escola tinha esse nome, e eu então disse-lhe que poderia também ser menina e que também podia jogar á bola porque as meninas também jogam... mas ele dizia que não, que era um mano! Se fosse mana não a queria, mas depois lá na escolinha houve muitas coleguinhas que tiveram irmãs e ele chegava a casa e dizia " vi a mana da bia, é tão querida e tão fofinha..., se eu tiver uma mana não me importo, também posso brincar com ela..."
No dia 1 de Junho fui fazer uma ecografia, e nesse dia íamos saber o sexo, toda a gente olhava para mim e dizia que era uma menina, e o pai babado ficava todo contente porque queria uma Carolina, mas eu não sei porquê tinha um feeling que era um Lucas... e claro o pimpolhito também foi (parecia sei lá o quê a olhar para o ecrã, pois não entendia como é que o médico passava as imagens para o ecrã, o médico perguntou-nos se já tínhamos alguma ideia do que é que era, o meu marido disse logo que era uma menina, mas o médico disse logo que era menino... era grande, tinha um percentil de 95%, o Martim tinha de 90%...
Mas ele não queria acreditar e voltou a perguntar ao médico se ele tinha a certeza, o médico disse-lhe que para ele não duvidar ia-lhe escrever na folha (órgãos genitais masculinos), e para eu ter cuidado que se engordava muito mais não ia ser um parto fácil...
Telefonamos a toda a família para dar a novidade...  minha mãe e a minha sogra ficaram tristes porque queriam a menina, pois já tinham um neto, porque a minha mãe uns dias antes andou a ver vestidinhos...
Depois foi a escolha dos nomes... Lucas não gostavam porque era o nome do meu bisavô, Mateus o pai não gostava, Santiago já havia muitos, o padrinho queria Sancho, a madrinha queria Francisco, a avó materna queria Dinis, também gostávamos de Afonso... bem andámos todo o dia nisto, o bebé passou por mil e um nomes, á noite pergunta-mos ao irmão qual é que ele gostava de Afonso, Dinis ou Francisco e ele escolheu Afonso.
Ás 32 semanas fui fazer nova ecografia e o bebé já tinha 2,515kg, era enorme e estava a crescer muito.
No dia 21 de Julho foram-me detectadas diabetes gestacionais, tinha que fazer uma alimentação saudável e medir as glicémias todos os dias.
Ás 35 semanas deram-me umas pontadas nos rins e eu eu fui á maternidade, já eram contarcções, o médico deu-me o mágnésio e muito repouso...
A hora do parto estava-se a aproximar... e o bebé que estava previsto para 04 de Outubro ia nascer mais cedo, com um pouco de sorte ainda nascia no dia do irmão...

Um pouquinho da mim...

Em 2005 fiquei grávida do meu primeiro filho, correu tudo bem, não engordei muito, não tive muitos enjoos, uma gravidez serena e era o que queríamos, um menino. No dia 02 de Setembro de, o meu filhote nasceu, grande e lindo, 49cm e com 3,190kg. Foi um parto para esquecer, mas depois de o ter nos braços esqueci, o pós parto foi 2x pior, eu jurei para mim mesma que não voltava ali a entrar...No dia 13 de Maio de 2006 casámos pela igreja e aproveitámos para baptizar o meu filhote Pedro Martim.
Em 2009 a tristeza bateu-nos á porta, o meu pai faleceu, depois de uma luta incansável contra o cancro acabou por não aguentar e no dia 1 de Junho foi para junto de Deus. Não foi fácil, era o meu pai e eu só pensava que acontecia aos outros. O meu filho tinha 4 anitos e também sofreu muito com isso, eles eram inseparáveis, gostavam de andar os dois e a 1ª vez que o meu filhote andou de comboio foi com ele (ainda existia o comboio no ramal da Lousã), tanto que ele até dizia que nunca mais ia andar de comboio porque o avô Mico já cá não estava, mas que um dia vestia-se de super herói e ia no tubarão dele lá cima tirar o bicho mau do avô e trazê-lo de volta




quinta-feira, 19 de abril de 2012

Depois de tantas tentativas, finalmente criei um blogue. Isto não é fácil, mas mudando aqui e ali está feito.
Este vai ser o meu cantinho onde vou poder partilhar a minha vida e também falar de uma coisa menos boa para mim, a perda do meu bebé.
Não é uma situação fácil, para nós mães de anjos... quando engravidamos começamos logo a fazer planos, a idealizar como será o nosso bebé quando nascer, será parecido com quem, carregamo-los dentro de nós 7, 8, ou 9 meses, falamos com eles e quando chega a hora de vir conhecer o nosso mundo fazemos de tudo para que corra bem, há partos que custam mais que outros (confesso que das duas vezes me custou), alguns são rápidos e no fim... ficamos sem nada... Vemos as outras mães com os filhos delas, a dar-lhes carinho e nós não os temos mas temos de estar ali os mesmos dias que elas para a recuperação. É penoso uma mulher ter de passar por tudo isto, ficar no mesmo piso que as outras mães e ter de sair da maternidade com as malas mas sem bebé...
É muito triste, é preciso termos uma força enorme para superar-mos a perda de um filho, a dor que temos no peito, o vazio do nosso coração... só quem passa por elas é que sabe o quanto custa a vida de um filho!
Neste blogue Materna Japão, li esta carta de uma mãe que perdeu um filho, lá ajuda ás pessoas que estão de fora como devem entender e respeitar a dor da perda gestacional, a dor de perder um filho á nascença e também a dor daquelas mães assim como eu que perderam e que perdem os seus filhos (ou passados algumas horas, ou passados dias, ou meses e até anos).
Acho que antes de nos criticarem deveriam ler esta carta...
http://maternajapao.blogspot.pt/2009/03/carta-de-uma-mae-que-perdeu-seu-bebe.html