sexta-feira, 20 de abril de 2012

A chegada do Afonso era esperada com grande ansiedade pela família e pelos amigos!

Nessa altura o avô do meu marido estava muito mal, os médicos já tinham preparado a família para o pior...
Andávamos todos com medo que ele nascesse nesse dia, não era por nada em especial, apenas porque um dia feliz tornáva-se num dia triste...
No dia 08/09/2011 dei entrada na maternidade com a 1ªcarta de urgência com principio de pré eclampsia, onde a médica de serviço gozou comigo, um outro médico que lá estava queria mandar-me para cima para cesariana, pois o bebé estava muito grande, mas a médica que lá estava não deixou porque estava na hora do jantar; No dia 12/09/2011 em todo o dia não senti o bebé, no dia 13/09/2011 dei entrada novamente na maternidade com 2ªcarta de urgência com a tensão a 17,7 e não sentia o bebé, deram-me água com açúcar chocolates e nenhuma diferença, disseram que era normal e que ele estava a dormir....; No dia 14/09/2011 dei novamente entrada nas urgências, continuava a não sentir o bebé, a tensão estava alta e levava a 3ªcarta de urgência, nada fizeram e mandaram-me para casa, ainda era cedo para o bebé nascer; No dia 15/09/2011 fui á consulta, pedia por amor de Deus á médica para me provocar o parto pois as dores eram constantes, as idas á maternidade também e já não sentia o bebé, então ela acelarou-me o parto, deu-me a carta para eu dar entrada na maternidade ao outro dia de manhã se aguentasse senão para ir naquele dia á noite.
E a hora estava a chegar... mal eu sabia o que nos esperava...
Depois de passar toda a noite com contracções, ás 6h00 fui ter com a minha mãe e disse-lhe que já não aguentava, cada vez estavam a ficar mais fortes e disse para ela se preparar que eu ia chamar o meu marido, preparámo-nos  e lá fomos para a maternidade, quando lá cheguei já ia com contracções de 5 em 5min, inscrevi-me e aguardei que me chamassem, as contracções eram constantes e eu não aguentava, estava sem posição e sem disposição, a minha mãe ao ver-me assim foi chamar uma auxiliar e lá entrei eu para a sala de urgências, a enfermeira de serviço pediu-me para me deitar na marquesa para me observar e sem querer rebentou-me as águas, aí é que elas começaram com força... Como não havia vagas nos pisos de cima puseram-me desde as 9h da manhã até as 11h20 na cadeira dos registos, eu bem que fazia as respirações para aliviar, mas eram impensável naquela posição, então ás 11h30 levaram-me para a sala de partos. O anestesista chegou e perguntou-me se queria levar a epidoral, eu nem sabia o que havia de fazer, pois no meu 1º parto depois de 4 injecções não pegou acabando por sentir tudo, mas arrisquei, e até pegou logo á primeira...que alivio...tudo parecia estar a correr bem, as dilatações, o coração do bebé a bater, enquanto estive ali á espera da minha hora nasceram uns 4 ou 5 bebés, uma até foi no meio do corredor á porta da minha sala, já não chegou a tempo a sala de parto... ás 16h foi a mudança de turno e eu disse para o meu marido mandar vir os pais dele e o nosso filho pois a seguir tudo indicava que era  a minha hora. Quando me foram para fazer o toque mandaram sair o meu marido, como é normal e quando me observaram e mexeram eu gritei muito porque me doeu, então eles acharam que era melhor iniciar, e assim foi... quando eu vi quem era a médica que me ia fazer o parto, fiquei para morrer...(era a tal que tinha gozado comigo nas urgências)...
(posso dizer que o meu 1º parto me custou, foi horrível, mas no fim tinha o meu bebé nos braços e todas aquelas dores ficaram mais pequenas) mas este... parecia o faroeste...!
Eu não vi nada... apenas fazia força quando me mandavam, mas pela aflição deles e pela conversa quando a cabecinha do Afonso saiu, ela bloqueou e já não conseguiu fazer o resto sem ajuda, estavam todos aflitos, chamaram logo um dos mais antigos e outro também com alguma experiência, o mais velho tentava a todo o custo tirar o bebé o outro pôs-se literalmente em cima da minha barriga, as coisas estavam a piorar, eles estavam estafados, eu a ficar sem forças, o meu marido lá fora e o bebé não saia e eu sem saber o que se estava a passar, só queria ouvir o meu filho chorar e não havia maneira... Eles fizeram de tudo para o conseguir tirar, eu mais uma bocadinho e ficava... finalmente ele saiu, levaram-no  logo para dentro sem me dizerem nada... eu estava de rastos e sem forças e só perguntei se estava tudo bem e quanto pesava, só me disseram que era grande e que pesava 3,995kg...
A enfermeira mandou entrar o meu marido e na altura que ele entrou eu estava a rir-me (porque virei-me para a enfermeira e disse que a placenta demorou menos tempo a sair que  bebé..), ele não percebeu nada e muito menos quando ela lhe disse que as coisas não tinham corrido bem mas que já vinham falar connosco. Prepararam-me e levaram-me para o corredor, do outro lado estava uma mãe com o seu filho e eu ali sem saber de nada e sem o meu bebé... 
Quando as portas da sala de partos abriu entrou a pediatra e veio na minha direcção, a cara expressão dela não era boa... " o parto não correu bem, houve algumas complicações pelo meio, tivemos de reanimar o bebé e ele agora vai ser transferido para a UCI (unidade de cuidados intensivos) do Hospital Pediátrico, mas que ele agora estava na UCIN (unidade de cuidados intensivos neo-natais), estamos a prepará-lo porque o INEM já vem a caminho..." agarrámo-nos os dois a chorar... Porque é que nos estava a acontecer a nós? Dali levar-nos dali para um quarto no fundo do corredor, ele foi ver o menino e quando veio para cima disse que ele era lindo... a minha reacção foi perguntar logo se ele tinha morrido... ainda não estava a acreditar, não podia estar a acontecer-nos aquilo...
No momento que o menino ia a sair da maternidade para a ambulância foi na hora em que os meus sogros chegaram com o meu filho... viram-no 5min.
Nesse dia á noite, o médico que acompanhou o meu parto foi ter comigo ao quarto e disse-me que lamentava muito, que tinham feito o tudo o que podiam, mas que eu não esperasse por boas noticias, só por um milagre e que se sobrevivesse ia ficar com muitas mazelas, mas eu estava tão exausta e com tanta dor que nem ouvi bem o que ele disse. Passar a noite foi horrível,  sozinha, nem televisão tinha, ouvir toda a noite os bebés a chorar, cheia de dores, não dormia, bem sem palavras... só queria que chegasse o outro dia para ter a minha família junto de mim...
No sábado reparei que a minha sogra e a minha tia estavam a chorar, mas pensei que era pelo que estava acontecer, afinal tinha sido o avô do meu marido que tinha falecido (no dia a seguir ao nascimento do Afonso) que fim de semana triste... mas será que não havia uma boa notícia???  Depois eram os amigos e família que queriam saber noticias, outros estavam preocupados porque não sabiam de nada e nós também não tínhamos coragem de lhes dizer... eu cada vez que falava com alguém enchia-me de lágrimas, não era verdade e eu quando saísse dali ia ver o meu filho e levava-o para casa... o meu marido entretanto foi ao pediátrico ver o menino e ele teve alguma melhoras, abriu os olhitos, ele diz que eram verdes como ele, ele era lindo e grande, claro que só o vi por fotos... ele lá tinha um fato térmico que era para ver se ele reagia... e o Martim dizia ás pessoas que o mano tinha um fato de karaté... e estava a acabar mais um dia e eu ia passar ali mais uma noite de tristeza...
No Domingo o meu marido chegou lá e foi falar com a médica para me dar alta, porque o bebé tinha piorado nessa noite e eles não lhe davam muitas horas e também tínhamos que fazer o baptizado e também para eu o ver com vida. Eu ainda não tinha feito as 48h de parto mas eu queria lá bem saber, eu queria era ver o meu filho...
No caminho o meu marido preparou-me para que eu não entrasse em choque ao ver o meu filho, pois nas fotos é bem diferente...
Quando chegámos já lá estava o capelão, eu não queria acreditar que o pior poderia acontecer e o padre também estava triste com a situação, mas só por milagre ele continuava neste mundo, passei toda a tarde junto do meu menino, eu falava para ele mas ele continuava sereno a dormir, eu não me cansava de olhar para ele, ainda tinha esperança...
Nesse dia era o funeral do avô, a médica entretanto veio falar connosco a dizer que como ele piorou de noite tiveram que lhe aumentar as doses da medicação para ele se aguentar até eu o ir ver, mas os valores no computador não paravam de descer... eu não estava em mim, não podia ser verdade... porquê a nós??? Porquê é que tinha de ser assim??? Porque é que tínhamos que passar por isto??? A médica foi desligando as máquinas e nós ali a despedir-nos do nosso menino, a minha esperança estava a escassear-se... eram 18h43 (hora em que a urna do avô desceu á terra) e o coraçãozinho do meu menino deixou de bater... Não podia ser verdade... aquilo era um sonho... ele ia acordar... 
(Se há coincidências ou não, não sei, mas o meu menino tinha uma missão... vir ao nosso mundo buscar o avô e dar-nos a bênção de termos gerado um anjinho!)  
Quando o puseram no quartinho, parecia que estava a dormir, a minha primeira reacção foi contar-lhe os dedinhos dos pés e das mãos, ele era perfeitinho e lindo... 
Estive ali até ás 24h, sempre ao pé dele ainda com uma esperança... 



2 comentários:

  1. Oi Anita, acabei de ler sua historia e com o coração doendo por você, gostaria de te dar um abraço, mesmo que distante, que meu carinho possa chegar até você!!!
    Um Beijo, força, conte comigo... Estamos juntas ♥

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  2. Obrigada Fabiana pelo abraçoe também pelas suas palavras de conforto.
    Sim, claro que estamos juntas... Você Também sentea mesma dor que eu. Se precisar de mim eu também estou aqui.
    Um beijinho grande e um abraço apertadinho... Nossos anjinhos estrão bem junto de Deus...

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